pesares finitos

Reinventar-se ao notar a perca hedionda do tom de tuas palavras. Reinventar-se perante ao abandono de si mesma. Reinventar-se. A fluidez de minhas palavras tivera sido escassa e desorientada, encontro-me a cada dia mais distante das palavras - haveriam elas se rebelado contra mim, filha ingrata? Possivelmente. A dor em mim fincada com raízes sólidas e indeléveis, vêm se fortificando e aflorando seus podres frutos em meu interior. Ela tivera seus picos, verdadeiros acessos de insanidade, rebelou-se contra mim, destruiu-me - mas não por inteiro; tivera adormecida mas agora despertou intensamente sutil de tal forma que tanta dor que sinto não dói - o martírio tornou-se mel para meus lábios, a mais perversa música para meus ouvidos.
O peso que carrego em minhas costas, este peso, tão inquietante, tão agonizante; a consternação aqui presente, tão viva que me sufoca - onde habita a liberdade? As asas que haviam em minhas palavras que tão longe me levara, onde é que estão?
Tornei-me réfem do meu próprio ser, perdoem o lamento.

bilhete esquecido


Dada a cadência com a qual vos torno à tentar balbuciar tais palavras, creio que difícil haverá compreensão, já que pouco entendes sobre o que há além do que teus olhos podem ver e do falso prazer que sentes ao destruir de outrem. Mas, ainda assim, insisto na insana procura de fazer-lhe entender minhas palavras mal-ditas na inexistente esperança de que assim o faça melhor - mas não o faz. Porque não há como fazê-lo! A profundidade da dor que em mim habita supera a superficial capacidade de prosseguir sem transparecer o que é sentido.
Mas ora, se todas estas são verdades, por que persistir?